Tuesday, August 01, 2017

E que de tudo que há na terra
Eu faça poesia.
Que chegue terremoto, avalanche,
Dissonante, maresia...
E que eu faça do acorde puro e seco
O meu eterno canto de oração.

Wednesday, February 02, 2011

De coisa

Eu sabia que os pai da moça
Num quiria ela de coisa cumigo...

Mas no dia que nossas vista se incontrô
Foi que nem vertige;
As perna bobiaro
E o orguio aprumô a ispinha.
Naquele instante,
a alma isquicida dela merma,
Derramô toda a inquietude
Que brotô nos interno do querê.

Eu sabia que os pai da moça
Num quiria ela de coisa cumigo...

Mas eu sabia que aquele repente
Que repetia aquele nome delirante
Rogava o açoite de nossas carne ardente
Na treva clara do desejo flutuante.

Agora essa prenda é tudo que eu ligo
E aquela amarga sodade que larguei
Ficô com os pai da moça...
Que num quiria ela de coisa cumigo.

Night Flight

E se descobre a noite
Em passos delirantes...
Brota o desejo mordido
Na peleja de bocas impacientes
Frio cortante em sóis salientes
Num sorriso molhado e ardido
E a dançar, alma eterna errante
No fado providencial da noite.

Thursday, April 08, 2010

3:15h

E uma neblina densa me tirava a consciência...
Puro instinto...
Dois animais no cio.
Sua calcinha, arranquei.
A penugem que cobria aquele sexo de olor inebriante...
Toquei-a com minha lingua sobre sua virilha...
Murmúrios. Gemidos que aumentavam minha sede...
Amávamos desprovidos de qualquer pudor.
Puro instinto...
Dois animais no cio.
Éramos um só corpo.
Movimentos perfeitamente sincronizados.
Mordia seus lábios com força, fora;
beijava e beijava seu pescoço, dentro;
Sentia seus seios eretos me roçarem o peito, fora, lambia-os, dentro;
Mordia, beijava, lambia, fora, lambia, beijava, mordia, dentro...
O corpo liberta a alma...
Seu coração pulsando acelerado...
O meu, havia muito se descontrolara.
Aquele jeito de virar o rosto e me encarar, dentro;
Um riso sacana rompendo um tímido olhar de menina, fora;
Uma dança de mulher, dentro;
Uma armadilha, uma cilada, fora,
Ingenuamente bem tramada, dentro;
Uma dor, fora, uma sede, dentro, uma dor, fora, uma sede, dentro
Uma sede, fora, uma sede, dentro, uma sede, fora, uma sede, dentro;
Instinto, fora, instinto, dentro, instinto...
Raios, trovões, Big-Bang, paixão, lágrimas, suor...

Cigarro e sono.

3:15h. Eu preciso ir.

Thursday, January 15, 2009

Oração

Vai, minha flor...
E me leva
Quando for de nadar no açude
Água calma é ‘sustança’ de espírito...
Mas quando for de cair no mar
Ah... aí me leva também
Que naufragar é preciso...

E se tiver de ’avoá’, ‘nóis avôa’
Porque a cabeça é escrava do peito
‘que nem eu, dos óio dela...’
E se um dia te tomar o cansaço
Lembra de mim a berrar
Vai, minha vida, me leva...
E faz de mim o que quiser.

Friday, December 19, 2008

Olhos Esmeralda IV

Um dia eu ia
Quando ali parei...
Já havia visto à cegos olhos
Que quando em luz se desfizeram
Que de tanto brilho, embriaguei.

Tenho mundos de lembranças
Mas nada ousou ser tão belo
Quanto aquelas pedrinhas no caminho
Que um dia eu ia
Quando ali parei....

Wednesday, August 06, 2008

A menina e a flor

A menina e a flor
Paradas no tempo de agora
perdido no quarto parado
Parado num quarto de hora
Na hora que me dei perdido
Num quarto parado de hora
Perdido num tempo senhora
Entre a menina e a flor.

E que de tudo que há na terra Eu faça poesia. Que chegue terremoto, avalanche, Dissonante, maresia... E que eu faça do acorde puro e se...